domingo, 21 de julho de 2013
Para lá da liberdade
Só casa e trabalho acho que é pouco para qualquer pessoa, o culto da mente não se faz com repetição e muito menos com limitação de liberdade para além do normal caminho que rotineiramente percorremos!
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Porque afinal, os homens também choram!
Retirado de: http://ouvirdizer.wordpress.com/2012/07/11/julia/"Júlia. “Sim, Júlia Guerra, mas de muita paz…”. É assim que me responde e ri-se e apresenta-se só pelo modo de rir, é uma questão de atitude, consigo e com a vida. De bem com a vida. Aos 80 anos mantém um sentido de humor único, talvez até um pouco raro, e uma maneira muito coerente de ver as coisas. Encontramo-nos a meio da tarde na esplanada onde vai, todos os dias “comer um sorvete, depois de ir beber o café”. Um café por dia, depois do almoço, que representa acima de tudo sair de casa, ver pessoas, socializar, “mas são cada vez menos pessoas na rua, uns emigram, outros saem daqui, antigamente via-se mais gente”. A nossa conversa, no tempo que me dedica na sua rotina diária, podia ir em muitas direcções. No final, é uma conversa sobre amor, bem-estar e liberdade, com a sapiência que aos 80 anos já se conquistou há muito. Júlia nasceu em Luanda. Vinha a Portugal passar temporadas de vários meses todos os anos, a família do pai era de Trás-os-Montes. Numa das viagens de regresso a Luanda conheceu o amor da sua vida. Na própria viagem? “Sim, na viagem”. E ri-se. O destino e o lugar onde foram sentados juntou-os e conversaram pela circunstância da viagem. Foi amor à primeira vista “mas lá depois foi mais difícil”. Espero um cenário de amores contrariados mas não, “foi difícil voltarmos a encontrar-nos. Ele sabia que eu trabalhava no laboratório de medicamentos e ia tentar encontrar-me na paragem do autocarro. Eu cheguei a vê-lo mas ele não me encontrava. Um dia, lá deu a volta ao contrário e encontrou-me a entrar em casa”. Encontrada a rapariga do avião começaram as conversas, os encontros e “no prolongamento, o namoro”. Ri-se novamente. Namoraram dois anos e casaram. Tiveram dois filhos. Vieram para Portugal quando se deu a independência. Adaptou-se bem? “Sim, que eu tenho facilidade em adaptar-me bem a qualquer lado”. Estiveram casados 32 anos, está viúva há 26 quando, em 8 dias, a repetição de uma síncope cardíaca lho levou. “Ele era excelente. Desejo às minhas amigas um marido como o meu, grande companheiro e bom amigo”. Ao perceber o amor que os unia pergunto-lhe como foi ficar sem ele. É aí que Júlia fica séria, abre os olhos e responde, do fundo do coração “Parecia que enlouquecia… não estava neste mundo, parecia que levitava. Quando fui ao médico ele perguntou-me: você anda?, tal era o meu estado…”. Conta que “ele dizia assim: não há homens pobres com uma mulher como a minha e eu digo que não há mulheres pobres com um homem como o meu…”. E sorri. Voltamos a Luanda. Diz que já não lhe apetece lá voltar. Os 2 irmãos já morreram e a mãe veio para junto dela e morreu cá. E conta que “às vezes perguntam-me se não quero ir lá reclamar o que é meu e eu respondo que não, que lá comam e bebam tudo e sejam felizes…”. "Falamos do seu dia-a-dia. Diz que “cada dia é mais um…”. E ri-se. Gostava que houvesse uma vida cultural mais rica, “eu era menina de cinema, matinés e bailaricos, que ainda hoje gosto de dançar…”. Não vê muita televisão porque, explica “não sou fascinada nas novelas, vejo as notícias e fecho a televisão às 11 e meia, meia-noite. Só há noite é que tenho pachorra para estar quieta, em casa estou sempre a fazer alguma coisa”. Pintava mas já não pinta, aborrece-a ter os quadros amontoados pela casa. “Sempre tive muito jeito para os trabalhos manuais e gostava de ter sido professora nessa área, mas já não tenho paciência. Agora passo um bocadinho a ferro, que a máquina lava a roupa, só não a estende, isso tenho que ser eu…” Rimo-nos novamente e remata “já ouço mal e vejo mal, todos os sintomas da velhice, mas como bem e durmo bem, o sono é comigo”. Digo-lhe que é muito bem-disposta e responde-me “ser bem-disposta é o que me traz de pé. Sim, é uma qualidade minha, também não invejo ninguém nem sofro de prisão de ventre de maneira que estou sempre bem-disposta”. Conta que costumava ir ao lar fazer visitas e custava-lhe perceber alguns olhares alheados deste mundo, “há pessoas que já não sabem que ainda estão vivas… é aquele olhar…”. Diz que se tiver que ir para o Lar vai, acomoda-se e explica que “para muitos ir para um lar é uma ventura, é um bem, mas é um crime quando as famílias os deixam e não os reclamam… há quem não saiba avaliar a solidão… Há ainda casos em que se morre na solidão porque não há dinheiro para ir para um Lar”. A sua explicação é que “no nosso ambiente o amor acabou… não há humildade. Ai do velho que não fale em morrer, estafermo do velho, quer ficar vivo?!”. Conclui que com esta crise de valores “há pessoas a quem custa muito viver. Eu gosto de viver porque gosto de ser independente”. Tem 4 netos e uma bisneta, que a deixa embevecida, conta que “ela tem 2 anos e meio mas já faz conversa… as crianças de hoje… é uma coisa diferente…”. Também tem cá um neto de férias e percebo que está na hora de continuar a sua rotina. Agradeço-lhe o tempo. Ela pergunta-me: “está satisfeita?”. Respondo que sim, muito. “Não pensei que interessasse assim para uma entrevista”. Claro que sim. É mais uma personagem desta terra, de há tantos anos, de sempre. Hoje o privilégio foi conhecê-la melhor. É esse o grande objectivo deste espaço, conhecer o ser das pessoas. A grande descoberta hoje foi a atitude de Júlia, a Independente, Júlia, tão de bem com a vida. Foi um privilégio e uma honra! Como julgo que será para quem ler esta conversa. Despedimo-nos, peço-lhe uma fotografia, lá deixa. Ri-se quando se vê na máquina. Depois pega no saco das compras e parte jardim afora. Paro a olhá-la e penso na nossa conversa, quando falámos da dor da viuvez e me disse que, 26 anos depois “às vezes vou na rua e julgo que ainda sinto a mão dele no meu ombro… Olho-a o parece-me, sinceramente, que não vai sozinha!"
Obrigado Vera.
E nada melhor que o acompanhante de danças em muitos e longos kms de pista!
À Avó Júlia.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Desalinhadamente Livre
Senta-se, estica as pernas no puff preto, acende o cigarro, fecha os olhos e deixa-se ir. Nada como ser um desalinhado! Sentir a liberdade da atitude, a liberdade da voz e a liberdade do pensamento. Só um desalinhado consegue compreender tamanha virtude que é ser assim.A música já passou aquela introdução, aquela espécie de prologo para uma viagem em tom de corrida fulminante. O primeiro bafo traz aquele pensamento distante, o som mostra o toque vincado que o David imprime na guitarra, a subtileza do som ao mesmo tempo com a profundidade da melodia, traz a mistura daquele charme que permite distinguir estes dos outros. Roça a perfeição, confessa.É assim que se sente. Com cigarro a meio, a música entra dentro daquele solo aclamado por todos, e é aí que sente aquela emoção maior de quem viaja sem querer se importar com o destino, é assim ser-se livre. O êxtase é total, tudo o que esta à volta, tudo o que está por dentro e por fora é esquecido, primeiro o fútil e acessório depois o importante e indispensável. É neste ponto que se define a prioridade das coisas, reflecte, e continua a viagem.
E com o fim da música conclui-se, está de volta, retornou e chegou ao mesmo local de onde partiu. Mas regressou diferente,embora continuando livre, e cada vez mais livre. E é assim que se confessa. Tenho dito.
domingo, 20 de maio de 2012
Ele voltou......e dei lhe a mão para não fugir!
No dia em que chega, parece que veio para ficar. Fica sempre aquela sensação que nunca haveria de o ter deixado fugir, mas parecia tanto mas tanto que me tinha escapado por entre os dedos, como se fosse uma pequena nuvem de fumo que me foge tão ligeiramente entre a falange e a falangeta e com isso nunca mais o voltasse a ver. Mas parei de repente, e em mim caiu aquela sensação que poderia estar por perto. Eis que faço aquele olhar por cima do ombro, e ali estava ele, logo atrás de mim! Disse lhe olá, e prometi-lhe que não iria deixar fugir outra vez, dei lhe a mão, e agora passeio com ele pelo meu caminho, envaidecido e orgulhoso, como uma criança que recebe aquilo que tanto pediu.......
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O mural do medo
Um sincero reflectir, e um ouvir de simples palavras ao qual não sabemos responder.....
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Só sentindo
"Falo-te do amor e certamente me recitarás um soneto. Mas nunca olhaste uma mulher
sentindo-te totalmente vulnerável,nunca conheceste nenhuma que te consolasse só com o olhar e te fizesse sentir que Deus tinha criado um anjo só para ti, para te arrancar
às profundezas do inferno.
E não sabes o que é ser o anjo dela, sentir um tal amor por ela, estar-lhe de tal maneira ligado que a apoiarias até se tivesse um cancro...Não sabes o que é dormir sentado dois meses num quarto de hospital, por os médicos verem que a frase ""horas de visita"" não se te pode ser aplicada. Não sabes o que é sofrer uma perda dessas,
porque só sabe quem ama alguém mais do que a si próprio."
sentindo-te totalmente vulnerável,nunca conheceste nenhuma que te consolasse só com o olhar e te fizesse sentir que Deus tinha criado um anjo só para ti, para te arrancar
às profundezas do inferno.
E não sabes o que é ser o anjo dela, sentir um tal amor por ela, estar-lhe de tal maneira ligado que a apoiarias até se tivesse um cancro...Não sabes o que é dormir sentado dois meses num quarto de hospital, por os médicos verem que a frase ""horas de visita"" não se te pode ser aplicada. Não sabes o que é sofrer uma perda dessas,
porque só sabe quem ama alguém mais do que a si próprio."
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O não amor descartavel
"Um doce, um beijo, um gesto, um mimo, algo que não se fique só pelo olhar e pelo olhar de a ver partir. É poder a fazer uma pequena diferença, mesmo aquando o orgulho nos chama para bem longe daquilo tudo que sentimos. E ultrapassar esse declive, que faz distinguir os amantes daqueles que apenas usam o amor como o simples desígnio do descartável. Pois os amantes sentem, amantes voam, amantes vivem, muito mais para além do que a realidade apenas nos mostra!"
domingo, 10 de abril de 2011
O chill domingueiro
O bom chill do domingo à tarde, ja resta pouco de fds, amanha ja daremos inicio a mais uma semana de trabalho. Por isso podemos aproveitar o pouco que nos resta para procurar a nossa paz interior, e ter a alegria suficiente para ultrapassar a semana. É um facto, este sol e este tempo agrada-me e inspira-me, e já enfrento a minha caminha com outro espírito!
terça-feira, 29 de março de 2011
costas voltadas....
Numa volta de redoma de sentimentos, a canção tão triste, que te conta aquilo que não quer dizer a mais ninguém. egoísta por certo, como se de um poder único, voltado a norte, voltado com as costas a sul, da birra incessante de ter em sua posse o conhecimento do segredo, que toda a gente deseja saber. Não te voltes por certo, porque nós de birra também enfiada, já te voltamos as costas também, e de costas voltadas caminharemos em sentidos opostos, tu com o segredo e eu com o orgulho na mão.........
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Um texto velhinho que diz muito sobre os tempo de hoje!
Um texto velhinho que diz muito sobre os tempo de hoje!
Juventude U2
"Não deixa de ser fascinante matéria de estudo comparar o vigor e a tenacidade posta na compra do bilhetes dos U2 pela mesma geração de jovens cujos professores dizem que eles não lêem porque os livros são caros. Que, pelo menos até ao passado ano lectivo, tinham de abandonar as faculdades porque não podiam pagar as propinas. E cujos corpos e almas segundo nos andam a garantir há anos psicólogos e pedagogos ficariam profundamente traumatizados caso tenham de se esforçar pelo que quer que seja. Nem sei o que seria se tivessem de dormir ao relento na noite mais fria do ano para obterem, por exemplo, uma bolsa de estudo. Felizmente que foi para os U2. Assim ninguém se traumatizou.”
Helena Matos
(in Público, 05.03.05)
Juventude U2
"Não deixa de ser fascinante matéria de estudo comparar o vigor e a tenacidade posta na compra do bilhetes dos U2 pela mesma geração de jovens cujos professores dizem que eles não lêem porque os livros são caros. Que, pelo menos até ao passado ano lectivo, tinham de abandonar as faculdades porque não podiam pagar as propinas. E cujos corpos e almas segundo nos andam a garantir há anos psicólogos e pedagogos ficariam profundamente traumatizados caso tenham de se esforçar pelo que quer que seja. Nem sei o que seria se tivessem de dormir ao relento na noite mais fria do ano para obterem, por exemplo, uma bolsa de estudo. Felizmente que foi para os U2. Assim ninguém se traumatizou.”
Helena Matos
(in Público, 05.03.05)
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Memórias de um soslaio não escondido
Mais do que muito se sente, é muito do que se vive. Nem ouso olhar para trás por cima do ombro, com aquele olhar de soslaio de vergonha por aquilo que já vivi, por aquilo em que eu já estive , já passei. Olho sim com altivez, dizendo um adeus a muitos que deixei para trás, levando comigo um olhar e um sorriso de esperança, esperança de poder voltar um dia encontra-los. A minha fome de viver não me deixa voltar atrás, aquela filosofia tão portuguesa, de vivermos agarrados ao passado, de muitas vezes nos martirizar-mos com aquilo que já conseguimos e que achamos não mais conseguir. É um facto, hoje estou feliz, feliz porque me encontro comigo próprio, feliz porque vivo desalmadamente, querendo sempre ter aquela liberdade no corpo, mas nunca desviando do sentido de responsabilidade que me norteia.
Ultimamente tenho vivido num país tão esquecido, tão triste, tão distante daquilo que, quando nasci, sonhei que poderia ser. Claro que sonhei como todos nós outrora sonhamos, ser um herói de guerras difíceis, ser um mártir das causas perdidas, sonhei que não ia ser só mais um, sonhei que podia e devia ser diferente, e hoje acordo com esse sentido de dever cumprido dentro de mim. Se calhar não tão admirado, por quem de fora me escuta, me ouve, e me presencia, mas sou feliz e realizado à minha maneira, com o meu mundo, com a minha gente.
Nunca me contestei com o pouco me deram, mas sim me orgulho da força que me deram do muito que tenho para conquistar. Aos muitos que viveram comigo, aos muitos que vivem comigo, espero um dia vos levar a encontrar esta felicidade também!
Ultimamente tenho vivido num país tão esquecido, tão triste, tão distante daquilo que, quando nasci, sonhei que poderia ser. Claro que sonhei como todos nós outrora sonhamos, ser um herói de guerras difíceis, ser um mártir das causas perdidas, sonhei que não ia ser só mais um, sonhei que podia e devia ser diferente, e hoje acordo com esse sentido de dever cumprido dentro de mim. Se calhar não tão admirado, por quem de fora me escuta, me ouve, e me presencia, mas sou feliz e realizado à minha maneira, com o meu mundo, com a minha gente.
Nunca me contestei com o pouco me deram, mas sim me orgulho da força que me deram do muito que tenho para conquistar. Aos muitos que viveram comigo, aos muitos que vivem comigo, espero um dia vos levar a encontrar esta felicidade também!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Que canção falsa tão triste
Todos nós temos uma canção tão triste, e porque são poucos aqueles que a dividem com mais alguém?talvez por vergonha, por medo, por complexo, ou por um falso ego que por muitas vezes fazemos transparecer, mas que nada mais passa de uma mera mentira.
Triste é quem não tem coragem de assumir que também sonha que também deseja e que também falha, trocamos sonhos por ideias realmente tristes sem sequer muitas vezes nos preocuparmos com quem se preocupa também connosco. Talvez quem sabe num dos sonhos partilhados se possa encontrar alguém do mesmo sonho, da mesma voz que se ouve por dentro, da mesma história aflita, e quem sabe no dividir das semelhanças do mesmo caminho a nossa agonia não será dividida também?
Triste é quem não tem coragem de assumir que também sonha que também deseja e que também falha, trocamos sonhos por ideias realmente tristes sem sequer muitas vezes nos preocuparmos com quem se preocupa também connosco. Talvez quem sabe num dos sonhos partilhados se possa encontrar alguém do mesmo sonho, da mesma voz que se ouve por dentro, da mesma história aflita, e quem sabe no dividir das semelhanças do mesmo caminho a nossa agonia não será dividida também?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Também eu serei um cientista
Já la vai longínquo o ano que esta caminha começou, e durante muito tempo sonhei com o fim!É um facto, está perto. Já havia pensado que 2011 seria o ano da mudança, como um belo presságio eis que recebe uma das melhores noticias logo no inicio do ano, um dos concertos da minha vida acabará por acontecer bem aqui pertinho, e claro que não vou perder esta oportunidade por nada.
Porque a partir de agora vou ser eu o cientista da minha vida!
Porque a partir de agora vou ser eu o cientista da minha vida!
sábado, 8 de janeiro de 2011
O saudosismo do que vivi
Decerto aquando realizei uma vontade que já tinha à um bom tempo, ver este filme, não podia imaginar o quão bem ia ficar surpreendido. é escrito em português, falado em português só é pena não ser cantado por alguém português. Mas confesso que esta musica além de me ficar nos ouvidos criou em mim um espírito saudosista dos tempos que foram e já não voltam mais.
Não pela razão da reunião destes antigos colegas, invocada neste filme, mas por outro motivo qualquer gostaria de daqui a uns anos, num belo e solarengo fim de tarde numa mesa qualquer da tão procurada "tenaz", ou naquele tasco que tantas vezes nos confortou o estômago com a simples comida que tão bem ali sabe, a menina dos olhos do senhor Alberto "floresta da Estefânia" gostaria então de poder ali recordar os excelentes momentos que vivemos. Estou numa fase final do curso do qual já deveria ter acabado, muita festa muita angustia muito exame muito estudo, muito vivemos juntos, quer nos locais já mencionados, ou na nossa familiar "estrela do faial" com a posterior visita ao estreito e não menos recordado bairro alto. Tanta coisa que me está a passar pela cabeça e que podia partilhar convosco, mas prefiro guardar para mim, e sei que tão alegremente nos vamos recordar destes tempos, aqueles que lá estiveram sabem com certeza do que estou a falar.
Muita gente poderia mencionar, e sei que alguns me vão faltar agora no pensamento, maduro o homem das legendas, barroca o encanta corações, lois que sem óculos e bêbado não é bem a mesma coisa, brunolabs o homem que passa as noites a conhecer gajos, boitec o real senhor da noite, maluquinho do edgar se o conhecessem sabiam da certeza do que falo, gonçalo o faccioso do benfica, sullivan o homem que não me ganha no snooker, agostinho o homem senhor daquelas rimas tão satanás, o esgroviado do sérgio que pior nunca vi, o campeão do raul que onde vai há confusão, seabrão que em muitas festas foi motivo de bebida à borla, o albicastrense ruizolas taberneiro de 1ª, claro que não podia me esquecer das meninas, a sempre simpatica raquel, a mais sizuda margarida, a simples e querida cristina, a ilhocas da carolina, eu sei que falta gente, falta tanta gente. O after hours no bar do central com o tó e o zé, o inicio de tarde no bar de civil do senhor paulo, o guarda do senhor neto, o senhor gomes da tasca da estrela, a velha do bar da cota bêbada, o ámigo o nuno o alberto o jorge e o tão incompreendido fernando da floresta, enfim estava aqui uma noite inteira a falar em pessoas e a contar historias, mas fico-me por algo que ouvi neste filme......
"...a imortalidade ganha-se na relação com os outros, somos imortais nas memórias daquilo que vivemos. As lembranças não morrem connosco, sobrevivem, nos nossos filhos e família, eternizam-se nos nosso amigos. Não me perguntem do que morri, ou como morri, saibam apenas que vivi e fui feliz. Para a historia ficam as histórias...."
Ps: Já agora, o filme é o "Funeral à chuva"
Não pela razão da reunião destes antigos colegas, invocada neste filme, mas por outro motivo qualquer gostaria de daqui a uns anos, num belo e solarengo fim de tarde numa mesa qualquer da tão procurada "tenaz", ou naquele tasco que tantas vezes nos confortou o estômago com a simples comida que tão bem ali sabe, a menina dos olhos do senhor Alberto "floresta da Estefânia" gostaria então de poder ali recordar os excelentes momentos que vivemos. Estou numa fase final do curso do qual já deveria ter acabado, muita festa muita angustia muito exame muito estudo, muito vivemos juntos, quer nos locais já mencionados, ou na nossa familiar "estrela do faial" com a posterior visita ao estreito e não menos recordado bairro alto. Tanta coisa que me está a passar pela cabeça e que podia partilhar convosco, mas prefiro guardar para mim, e sei que tão alegremente nos vamos recordar destes tempos, aqueles que lá estiveram sabem com certeza do que estou a falar.
Muita gente poderia mencionar, e sei que alguns me vão faltar agora no pensamento, maduro o homem das legendas, barroca o encanta corações, lois que sem óculos e bêbado não é bem a mesma coisa, brunolabs o homem que passa as noites a conhecer gajos, boitec o real senhor da noite, maluquinho do edgar se o conhecessem sabiam da certeza do que falo, gonçalo o faccioso do benfica, sullivan o homem que não me ganha no snooker, agostinho o homem senhor daquelas rimas tão satanás, o esgroviado do sérgio que pior nunca vi, o campeão do raul que onde vai há confusão, seabrão que em muitas festas foi motivo de bebida à borla, o albicastrense ruizolas taberneiro de 1ª, claro que não podia me esquecer das meninas, a sempre simpatica raquel, a mais sizuda margarida, a simples e querida cristina, a ilhocas da carolina, eu sei que falta gente, falta tanta gente. O after hours no bar do central com o tó e o zé, o inicio de tarde no bar de civil do senhor paulo, o guarda do senhor neto, o senhor gomes da tasca da estrela, a velha do bar da cota bêbada, o ámigo o nuno o alberto o jorge e o tão incompreendido fernando da floresta, enfim estava aqui uma noite inteira a falar em pessoas e a contar historias, mas fico-me por algo que ouvi neste filme......
"...a imortalidade ganha-se na relação com os outros, somos imortais nas memórias daquilo que vivemos. As lembranças não morrem connosco, sobrevivem, nos nossos filhos e família, eternizam-se nos nosso amigos. Não me perguntem do que morri, ou como morri, saibam apenas que vivi e fui feliz. Para a historia ficam as histórias...."
Ps: Já agora, o filme é o "Funeral à chuva"
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O caminho
Uma vez contaram-me que cada um de nós tem um caminho, caminho esse que percorremos no constante tempo da vida que não pára. Caminhos cruzam-se caminhos separam-se, uns paralelos outros perpendiculares. Nunca estamos sozinhos, muitos outros caminhos também estão a ser percorridos, por diferentes pessoas, alturas feições feitios escolhas. o importante é que possamos por algumas vezes parar no tempo, olhar para trás e sentir orgulho do caminho que fizemos, que possamos sorrir com as escolhas que tomamos, recordar os caminhos que cruzamos e as pessoas que conhecemos, e dai em frente aprender a lição para melhor caminho traçarmos, aprender a ser homem, aprender a ser gente, aprender a aprender e aprender incessantemente, sem nunca cansar de aprender. Aprendendo a escolher aprende-se a caminhar, e aprender a arrepender aprende-se a viver!
Evolução
A evolução da vida:"À 60 anos atrás era um milagre nascer uma criança com saúde, hoje em dia é um azar nascer uma criança com problemas"
Aprendi a lição!
Aprendi a lição!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Um sorriso Amigo
A Musica é mais que um estado de alma, é um poder é uma força, é um sinal de que existe a força de um Homem para a compor, escrever tocar exprimir, e a nós, os vulgares mortais, cabe-nos a nós mostrar o melhor e mais sincero sinal de agradecimento. Um sorriso.
Da-nos o sorriso a que nos habituaste, o sorriso encarnado, rosa, branco, o sorriso de todas as cores que se identifiquem contigo, e nós retribuiremos com o sorriso colorido com o qual nos identificaste.
À quase um ano já havia escrito "Porque a sorte do destino não escolhe lugares, não escolhe sítios, pessoas, porque não consigo ficar quieto, parado, calado, porque claro que não consigo sentir o tamanho da tua revolta mas entendo e estou disposto a dividi-la".
Melhor do que diria se calhar hoje, que me faltam as palavras, um ano quase volvido, um ano de luta de lágrimas de dor, mas também um ano de alegria de festa e de sorrisos. De novo aqueles sorrisos.
Muitas palavras te poderia dizer, podia vir aqui todos os dias postar, dizer qualquer coisa que não te fosse indiferente. Mas preferi manter-me afastado, guardando apenas os meus sorrisos para te mostrar naqueles momentos, tão poucos, que estamos juntos, que falamos de mulheres, futebol e politica, e tudo na resposta de um sorriso. Um dia ensinaram-me que o sentimento e a força não se mede na insistência mas sim na intensidade de cada vez em que se vive o momento!
Apenas que daqui a uns anos, todos sentados na esplanada do bar do costume, num normal fim de tarde, e com a mesma degustada companhia; numa daquelas fúteis conversas, possamos olha para trás, e no baralhar de outras tantas historias, de aventuras, de memorias, possamos falar também da tua historia, como se de mais uma futilidade que já ultrapassada, sirva de lição para outros que também se vêm à porta de um idêntico caminho.
Não quero realces, não quero agradecimentos, não quero palmas nem abraços teus, quero apenas que quando estivermos juntos me dês um sorriso!
Um sorriso Amigo!
Da-nos o sorriso a que nos habituaste, o sorriso encarnado, rosa, branco, o sorriso de todas as cores que se identifiquem contigo, e nós retribuiremos com o sorriso colorido com o qual nos identificaste.
À quase um ano já havia escrito "Porque a sorte do destino não escolhe lugares, não escolhe sítios, pessoas, porque não consigo ficar quieto, parado, calado, porque claro que não consigo sentir o tamanho da tua revolta mas entendo e estou disposto a dividi-la".
Melhor do que diria se calhar hoje, que me faltam as palavras, um ano quase volvido, um ano de luta de lágrimas de dor, mas também um ano de alegria de festa e de sorrisos. De novo aqueles sorrisos.
Muitas palavras te poderia dizer, podia vir aqui todos os dias postar, dizer qualquer coisa que não te fosse indiferente. Mas preferi manter-me afastado, guardando apenas os meus sorrisos para te mostrar naqueles momentos, tão poucos, que estamos juntos, que falamos de mulheres, futebol e politica, e tudo na resposta de um sorriso. Um dia ensinaram-me que o sentimento e a força não se mede na insistência mas sim na intensidade de cada vez em que se vive o momento!
Apenas que daqui a uns anos, todos sentados na esplanada do bar do costume, num normal fim de tarde, e com a mesma degustada companhia; numa daquelas fúteis conversas, possamos olha para trás, e no baralhar de outras tantas historias, de aventuras, de memorias, possamos falar também da tua historia, como se de mais uma futilidade que já ultrapassada, sirva de lição para outros que também se vêm à porta de um idêntico caminho.
Não quero realces, não quero agradecimentos, não quero palmas nem abraços teus, quero apenas que quando estivermos juntos me dês um sorriso!
Um sorriso Amigo!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Picture Of Jesus
Faz hoje quinze dias que passei um dos piores momentos da minha vida. Falo-vos de uma realidade que grita muda para todo um mundo surdo que tarda em não ouvir os seus pedidos de ajuda. Já moro em Lisboa à algum tempo, mas desde que moro aqui em Arroios é que pude presenciar com esta realidade diferente. É triste passar na rua e quase tropeçar em pessoas que dormem no chão, naquele chão em que muitos cospem, mijam vomitam, e coisas mais nojentas que não posso nem quero imaginar, eu mesmo as faço. E é desse mesmo chão que vejo muitos fazerem o seu próprio leito, uns cartões a fazerem de corta vento, uns cobertores mal amanhados e muitos já ruídos fazem de suas mantas de dormir. É triste pensar pior é mesmo presenciar!
Com a vida que levei ultimamente vi-me obrigado a passar em 2 pontos estratégicos dos ditos pobres. À muito que venho daquelas noites loucas, depois de sair do táxi na Praça do Chile e depois de ter comprado o meu bolinho nos boleiros do costume. Já vai avançada a hora quando passo em plenas escadarias do Igreja de Arroios, e não fazem ideia das pessoas que ali dormem, juro porque eu também não fazia. Naquelas noites frias, com o bolo quente na mao, so penso em chegar à minha caminha quentinha, e aquelas pessoas dormem ali ao frio, à chuva, muitas vezes não me envaidece dizer que moro num mundo assim do qual colaboro. Porque não dividir o meu pouco que tenho com aqueles que ali estão e tanto precisam?não vos sei responder, poderiam haver muitas explicações, cobardia talvez, vergonha, enfim, são tantas desculpas que se pode arranjar para tal acção não realizar.
Já para não falar do jardim Constantino, a azáfama ali por volta das 21horas é grande, é a sopa dos pobres que ali passa por essa hora todos os dias, distribuindo muitas vezes as sobras que muitos de nós mandamos fora. É um facto aquele jardim de à pouco remodelado, cheira a pobreza, uma pessoa passa ali e o cheiro que de quem pouco se lava, pouco come, pouco se cuida é tão intenso que não pode ser indiferente a ninguém que ali passe.
E eis que me pergunto, se Deus tivesse uma forma que reflectisse este mundo, seria esta forma que ele teria?estará Deus a ser justo com estas pessoas?
É por estas e outras mais razões que não acredito em tal edilidade, porque se ele realmente existisse, não haveriam escadarias de Arroios nem jardins constatinos nem nada que se pareça.
Por fim venho-vos contar então o que realmente me aconteceu. Era fim de tarde de sábado, e eu como sempre, de ritual já assim à muito faço, fui ver das normais comprinhas ao normal pingo doce do costume. Já levava o dinheiro contado. Depois de compras feitas, dos sacos na mão e de já me encontrar de saída do estabelecimento, sou abordado por um homem. A agonia e aflição eram reflexos nos seus olhos, acreditem que antes de ele sequer me falar eu já sabias ao que vinha. De roupa mal amanhada, e de cabeça cabisbaixa, não obstante da vergonha que naquela situação sentiria, me pediu ajuda.
"ajuda-me, estou desempregado, e tenho dois filhos para criar!" foram estas as parcas palavras que a mim confessou, parece que ainda hoje as ouço, foram tão sinceras tão profundas, era notável bem a vergonha do rebaixar que um pai de família tem de chegar para dar pão aos seus filhos. Ja muitas vezes tinha sido abordado por pedintes, e nunca um cêntimo dei, muitos vê-se que apenas não querem sequer trabalhar, mas aquele pedido foi-me tão sincero, que me apeteceu parar o relógio do mundo e Gritar bem alto, PAREM E OLHEM AO QUE ISTO CHEGOU. Senti revolta, senti dor, foi como se me visse eu naquela situação, e toda a tristeza me invadiu a alma. E de tanta vergonha que senti também, fui cobarde, e nem uma palavra consegui dizer, queria falar mas não conseguia, e nem uma acção. Tenho vergonha de dizer isto, como tenho vergonha de nem sequer ter dado, por escassa que fosse, uma ajuda.
Desta acção cobarde e acentuadamente repugnante não me orgulho em nada, fui apenas mais um, igual a tantos outros, ignoro o mundo que está ali a meu lado a pedir ajuda, e limito-me a ser egoísta e pensar e viver só na minha bolhinha. E não me vou esquecer daquela cara possuída pela tristeza que o orgulho não deixava chorar, vivo e recordo cada passo que dei até minha casa. Não foram mais que cinco minutos, mas a cada passo, cada lágrima que em mim escorria, a tristeza da existência de tal mundo ainda agravada pela vergonha que tive em ajudar, vão fazer-me penitenciar até ver findada a minha voz.
Tive a oportunidade de ser diferente, e fui apenas mais um, e disso só tenho simplesmente vergonha!
Com a vida que levei ultimamente vi-me obrigado a passar em 2 pontos estratégicos dos ditos pobres. À muito que venho daquelas noites loucas, depois de sair do táxi na Praça do Chile e depois de ter comprado o meu bolinho nos boleiros do costume. Já vai avançada a hora quando passo em plenas escadarias do Igreja de Arroios, e não fazem ideia das pessoas que ali dormem, juro porque eu também não fazia. Naquelas noites frias, com o bolo quente na mao, so penso em chegar à minha caminha quentinha, e aquelas pessoas dormem ali ao frio, à chuva, muitas vezes não me envaidece dizer que moro num mundo assim do qual colaboro. Porque não dividir o meu pouco que tenho com aqueles que ali estão e tanto precisam?não vos sei responder, poderiam haver muitas explicações, cobardia talvez, vergonha, enfim, são tantas desculpas que se pode arranjar para tal acção não realizar.
Já para não falar do jardim Constantino, a azáfama ali por volta das 21horas é grande, é a sopa dos pobres que ali passa por essa hora todos os dias, distribuindo muitas vezes as sobras que muitos de nós mandamos fora. É um facto aquele jardim de à pouco remodelado, cheira a pobreza, uma pessoa passa ali e o cheiro que de quem pouco se lava, pouco come, pouco se cuida é tão intenso que não pode ser indiferente a ninguém que ali passe.
E eis que me pergunto, se Deus tivesse uma forma que reflectisse este mundo, seria esta forma que ele teria?estará Deus a ser justo com estas pessoas?
É por estas e outras mais razões que não acredito em tal edilidade, porque se ele realmente existisse, não haveriam escadarias de Arroios nem jardins constatinos nem nada que se pareça.
Por fim venho-vos contar então o que realmente me aconteceu. Era fim de tarde de sábado, e eu como sempre, de ritual já assim à muito faço, fui ver das normais comprinhas ao normal pingo doce do costume. Já levava o dinheiro contado. Depois de compras feitas, dos sacos na mão e de já me encontrar de saída do estabelecimento, sou abordado por um homem. A agonia e aflição eram reflexos nos seus olhos, acreditem que antes de ele sequer me falar eu já sabias ao que vinha. De roupa mal amanhada, e de cabeça cabisbaixa, não obstante da vergonha que naquela situação sentiria, me pediu ajuda.
"ajuda-me, estou desempregado, e tenho dois filhos para criar!" foram estas as parcas palavras que a mim confessou, parece que ainda hoje as ouço, foram tão sinceras tão profundas, era notável bem a vergonha do rebaixar que um pai de família tem de chegar para dar pão aos seus filhos. Ja muitas vezes tinha sido abordado por pedintes, e nunca um cêntimo dei, muitos vê-se que apenas não querem sequer trabalhar, mas aquele pedido foi-me tão sincero, que me apeteceu parar o relógio do mundo e Gritar bem alto, PAREM E OLHEM AO QUE ISTO CHEGOU. Senti revolta, senti dor, foi como se me visse eu naquela situação, e toda a tristeza me invadiu a alma. E de tanta vergonha que senti também, fui cobarde, e nem uma palavra consegui dizer, queria falar mas não conseguia, e nem uma acção. Tenho vergonha de dizer isto, como tenho vergonha de nem sequer ter dado, por escassa que fosse, uma ajuda.
Desta acção cobarde e acentuadamente repugnante não me orgulho em nada, fui apenas mais um, igual a tantos outros, ignoro o mundo que está ali a meu lado a pedir ajuda, e limito-me a ser egoísta e pensar e viver só na minha bolhinha. E não me vou esquecer daquela cara possuída pela tristeza que o orgulho não deixava chorar, vivo e recordo cada passo que dei até minha casa. Não foram mais que cinco minutos, mas a cada passo, cada lágrima que em mim escorria, a tristeza da existência de tal mundo ainda agravada pela vergonha que tive em ajudar, vão fazer-me penitenciar até ver findada a minha voz.
Tive a oportunidade de ser diferente, e fui apenas mais um, e disso só tenho simplesmente vergonha!
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