quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Evolução

A evolução da vida:"À 60 anos atrás era um milagre nascer uma criança com saúde, hoje em dia é um azar nascer uma criança com problemas"
Aprendi a lição!


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um sorriso Amigo

A Musica é mais que um estado de alma, é um poder é uma força, é um sinal de que existe a força de um Homem para a compor, escrever tocar exprimir, e a nós, os vulgares mortais, cabe-nos a nós mostrar o melhor e mais sincero sinal de agradecimento. Um sorriso.
Da-nos o sorriso a que nos habituaste, o sorriso encarnado, rosa, branco, o sorriso de todas as cores que se identifiquem contigo, e nós retribuiremos com o sorriso colorido com o qual nos identificaste.

À quase um ano já havia escrito "Porque a sorte do destino não escolhe lugares, não escolhe sítios, pessoas, porque não consigo ficar quieto, parado, calado, porque claro que não consigo sentir o tamanho da tua revolta mas entendo e estou disposto a dividi-la".

Melhor do que diria se calhar hoje, que me faltam as palavras, um ano quase volvido, um ano de luta de lágrimas de dor, mas também um ano de alegria de festa e de sorrisos. De novo aqueles sorrisos.

Muitas palavras te poderia dizer, podia vir aqui todos os dias postar, dizer qualquer coisa que não te fosse indiferente. Mas preferi manter-me afastado, guardando apenas os meus sorrisos para te mostrar naqueles momentos, tão poucos, que estamos juntos, que falamos de mulheres, futebol e politica, e tudo na resposta de um sorriso. Um dia ensinaram-me que o sentimento e a força não se mede na insistência mas sim na intensidade de cada vez em que se vive o momento!

Apenas que daqui a uns anos, todos sentados na esplanada do bar do costume, num normal fim de tarde, e com a mesma degustada companhia; numa daquelas fúteis conversas, possamos olha para trás, e no baralhar de outras tantas historias, de aventuras, de memorias, possamos falar também da tua historia, como se de mais uma futilidade que já ultrapassada, sirva de lição para outros que também se vêm à porta de um idêntico caminho.

Não quero realces, não quero agradecimentos, não quero palmas nem abraços teus, quero apenas que quando estivermos juntos me dês um sorriso!

Um sorriso Amigo!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fodasse!

Porque tem simplesmente um caralho de uma puta de genialidade!



domingo, 12 de setembro de 2010

Picture Of Jesus

Faz hoje quinze dias que passei um dos piores momentos da minha vida. Falo-vos de uma realidade que grita muda para todo um mundo surdo que tarda em não ouvir os seus pedidos de ajuda. Já moro em Lisboa à algum tempo, mas desde que moro aqui em Arroios é que pude presenciar com esta realidade diferente. É triste passar na rua e quase tropeçar em pessoas que dormem no chão, naquele chão em que muitos cospem, mijam vomitam, e coisas mais nojentas que não posso nem quero imaginar, eu mesmo as faço. E é desse mesmo chão que vejo muitos fazerem o seu próprio leito, uns cartões a fazerem de corta vento, uns cobertores mal amanhados e muitos já ruídos fazem de suas mantas de dormir. É triste pensar pior é mesmo presenciar!
Com a vida que levei ultimamente vi-me obrigado a passar em 2 pontos estratégicos dos ditos pobres. À muito que venho daquelas noites loucas, depois de sair do táxi na Praça do Chile e depois de ter comprado o meu bolinho nos boleiros do costume. Já vai avançada a hora quando passo em plenas escadarias do Igreja de Arroios, e não fazem ideia das pessoas que ali dormem, juro porque eu também não fazia. Naquelas noites frias, com o bolo quente na mao, so penso em chegar à minha caminha quentinha, e aquelas pessoas dormem ali ao frio, à chuva, muitas vezes não me envaidece dizer que moro num mundo assim do qual colaboro. Porque não dividir o meu pouco que tenho com aqueles que ali estão e tanto precisam?não vos sei responder, poderiam haver muitas explicações, cobardia talvez, vergonha, enfim, são tantas desculpas que se pode arranjar para tal acção não realizar.
Já para não falar do jardim Constantino, a azáfama ali por volta das 21horas é grande, é a sopa dos pobres que ali passa por essa hora todos os dias, distribuindo muitas vezes as sobras que muitos de nós mandamos fora. É um facto aquele jardim de à pouco remodelado, cheira a pobreza, uma pessoa passa ali e o cheiro que de quem pouco se lava, pouco come, pouco se cuida é tão intenso que não pode ser indiferente a ninguém que ali passe.
E eis que me pergunto, se Deus tivesse uma forma que reflectisse este mundo, seria esta forma que ele teria?estará Deus a ser justo com estas pessoas?
É por estas e outras mais razões que não acredito em tal edilidade, porque se ele realmente existisse, não haveriam escadarias de Arroios nem jardins constatinos nem nada que se pareça.

Por fim venho-vos contar então o que realmente me aconteceu. Era fim de tarde de sábado, e eu como sempre, de ritual já assim à muito faço, fui ver das normais comprinhas ao normal pingo doce do costume. Já levava o dinheiro contado. Depois de compras feitas, dos sacos na mão e de já me encontrar de saída do estabelecimento, sou abordado por um homem. A agonia e aflição eram reflexos nos seus olhos, acreditem que antes de ele sequer me falar eu já sabias ao que vinha. De roupa mal amanhada, e de cabeça cabisbaixa, não obstante da vergonha que naquela situação sentiria, me pediu ajuda.
"ajuda-me, estou desempregado, e tenho dois filhos para criar!" foram estas as parcas palavras que a mim confessou, parece que ainda hoje as ouço, foram tão sinceras tão profundas, era notável bem a vergonha do rebaixar que um pai de família tem de chegar para dar pão aos seus filhos. Ja muitas vezes tinha sido abordado por pedintes, e nunca um cêntimo dei, muitos vê-se que apenas não querem sequer trabalhar, mas aquele pedido foi-me tão sincero, que me apeteceu parar o relógio do mundo e Gritar bem alto, PAREM E OLHEM AO QUE ISTO CHEGOU. Senti revolta, senti dor, foi como se me visse eu naquela situação, e toda a tristeza me invadiu a alma. E de tanta vergonha que senti também, fui cobarde, e nem uma palavra consegui dizer, queria falar mas não conseguia, e nem uma acção. Tenho vergonha de dizer isto, como tenho vergonha de nem sequer ter dado, por escassa que fosse, uma ajuda.
Desta acção cobarde e acentuadamente repugnante não me orgulho em nada, fui apenas mais um, igual a tantos outros, ignoro o mundo que está ali a meu lado a pedir ajuda, e limito-me a ser egoísta e pensar e viver só na minha bolhinha. E não me vou esquecer daquela cara possuída pela tristeza que o orgulho não deixava chorar, vivo e recordo cada passo que dei até minha casa. Não foram mais que cinco minutos, mas a cada passo, cada lágrima que em mim escorria, a tristeza da existência de tal mundo ainda agravada pela vergonha que tive em ajudar, vão fazer-me penitenciar até ver findada a minha voz.
Tive a oportunidade de ser diferente, e fui apenas mais um, e disso só tenho simplesmente vergonha!


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Marcha dos deslinhados

Porque talvez foram uma das melhores reuniões de excelentes músicos portugueses
Porque gritaram revolta e disseram "Parem"
Porque desalinhados cada vez mais são aqueles que rumam na direcção certa
Porque cresci a ouvi-los
Porque a sua irreverencia estava estampada no seus rostos de meninos, alguns irreconheciveis diga-se de passagem
Porque todos nasceram selvagens como eu
Porque a noite fez deles um dos maiores sucessos, e jamais serão esquecidos
E porque amanhã será sempre longe demais!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

É bumbar bumbar!

Mais um sábado se iniciara e para mais uma festa a família estrela e suas ramificações se juntavam numa cidade quase à beira sol. Mais um dia de refeições pegadas e de muita conversa já se previa. Já batia na hora de almoço quando a minha presença se fez notar, e muitos dos normais intervenientes já se encontravam no local. O pormenor que se fez notar é a mudança do local do costume, porque o o figurino era mais do mesmo. Assim que cheguei deparei-me com o pai César de volta das carnes, é um facto que ele entende bem do assunto. Os pianos de entrecosto, e as febras de picanha já se faziam cheirar ao longe, e que bom este cheirinho. Um estranho já ali se encontrava e de pronto foi apresentado e cumprimentado, mal ele sabia do filme que estava a participar. depois de subir as escadas deparei-me com o resto da malta, tinha um feeling que a velha Júlia estava de volta do saboroso molho de tomate, e do feeling não me errei. Ora o belo do repasto estava a ser preparado, preto não sabe conviver falar nem festejar de barriga vazia. Depois entre cumprimentos, de muitos que já não via à alguma tempo e de outros que nem sequer conhecia, o ritual da festarola deu inicio. Hummmmmmm aquele belo cheirinho da boa comidinha, mas desta vez com uma variação mais brasileira, dado que nem toda a gente podia gostar da mistela da farinha de mandioca. Foi logo de principio que DJ Muamba se fez puxar dos seus galões, ligou a aparelhagem e começou a dar som às primeiras jingas do dia. O almoço estava posto, e ja estavam todos de volta da buxinha ehehehe.
Conversa para aqui e conversa para ali, os interpretes como quase sempre os mesmos, Nelson Cesar Catarina e João, os outros eram mais quase os assistentes que so tinham sido contratados para bater as palmas. A musica ouvia-se do fundo, nomes como Paulo Flores Bonga e Eduardo Paim, os reis do velho semba já se faziam ouvir na sala. O certo é que os bomboletas não saiam da mesa, só desaparecia a comida e aquele belo vinho verde, que fresquinho até estalava. Depois do fim do almoço e da respectiva aguardente velha bebida, começa a boda. A jinga do fundo quase que como empurra um preto para uma dança, e mesmo que que parado se encontrasse, aquele flow que balança na espinha não deixa ficar quieto. É aqui que Muamba que agarra na Bleza da mulher do Kwanza Norte e começam no sembão, o novo mestre da musica la da tamba, Yuri da Cunha, faz-se ouvir na frequência e no ritmo certo. Poxa, aquela velha dança muito, sempre naquele estilo de velha, aquela semba ritmada mas simples, e com a dança conservadora de outros tempos, mas nunca saindo fora de tempo, aquelas pernas parece que ficam 60anos mais novas e mexem-se sem haver amanhã. Porra pa velha, está sempre deserta para que a agarrem e comecem ali ali balança balança da jinga, lembrando os velhos tempo de camabatela, onde todo o madje que fosse na boda tinha por obrigação mostrar o muito ou pouco que sabia fazer, era quase que como um "achas que sabes dançar" de outras tarimbas.


Ter o sangue quente é ser diferente, mesmo que seja impossível de dançar é sempre passível de se sorrir.

Como diz o Léo na passada seguinte, "É bumbar bumbar, parar é conversa, não aceita mano ser kunhanga"

É para isto que existe Deus?

Para além de vergonhoso, é com custo que vos escrevo este "post". Este Deus existe?será isto um acto de fé?se estas mortes são um sacrifício para o bem de todos?
Se é esta uma parte do meu mundo, algo de muito errado se passa. Não quero nem posso ficar calado com isto. E não muito mais conseguirei dizer, tenho vergonha de partilhar um mundo assim.


PS: é uma questão de ao filme assistirem